Na verdade, pouco se sabe sobre os nossos recursos enquanto seres sujeitos a um corpo que desencanta, transforma-se, envelhece e, por fim, morre. Estamos simplesmente acostumados a utilizar os nossos poderes físicos que, de forma objetiva e grandiosa, proporcionam a nós todo o caudal de vivências, com prazeres permitidos pelos nossos sentidos, guardiões de nosso corpo físico. Os poderes da mente, até então, têm sido pouco explorados e limitados simplesmente a criar outras identidades companheiras de nós mesmos que são virtuais e etéreas, mas satisfazem o saber do para sempre que pode acontecer conosco. Talvez se a humanidade investisse mais em descobrir nossas faculdades extras-sensoriais, possivelmente encontraria os poderes mágicos buscados na cibernetização.
Os encontros na internet têm levado as pessoas a uma interação “mente versus mente” que torna o corpo apenas um empecilho com necessidade de alimento, asseio e diversão, em resumo, algo a ser cuidado que subtrai o tempo desses momentos. A comunicação sem o pragmatismo do físico pode favorecer a uma diversidade de identificações como nome, idade, sexo, sexualidade e profissão que podem ser adequadas ao momento rico em determinadas circunstâncias especiais. Dessa forma, o corpo se torna um fardo a ser eliminado.
Para os que acreditam na Inteligência Artificial, os robôs um dia terão sensibilidade e raciocínio capazes de substituírem os homens nas mais diversas atividades do cotidiano. Enquanto as máquinas se humanizam, as pessoas se mecanizam. A visão do progresso cibernético leva os aficionados pela robotização a imaginarem a colocação de sua “mente” em uma máquina. Esta de fácil manutenção e longa vida poderá substituir o corpo frágil e, em momentos críticos, ser substituída, transferindo-se a “mente” para um novo “corpo” que dará continuidade à vida cerebral ora transferida.
A herança será negada às psiques que seguirão como descendentes desses robôs. O progresso talvez estanque e uma nova redisposição da intimidade robótica haverão de acontecer. Quem fará essa renovação? Clones pensarão como clones e o novo não se estabelecerá!
