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terça-feira, 22 de março de 2011

UM CASO PARA SER PENSADO


“Marinheiro de primeira viagem”, a mamãe, ao trocar a fralda de sua menina de quatro dias, observa que existe um resquício de sangue bastante vivo na fraldinha. Como faria qualquer mãe, leva de imediato a recém-nascida ao médico, inaugurando o plano de saúde da bebê. Chega ao médico o maior alarde para o significado da ocorrência e logo a convocação de uma enfermeira para colocar uma sonda na nenê, pois a desconfiança era de uma bruta infecção urinária e os procedimentos deveriam ser imediatos.
A enfermeira convocada mostrava insegurança e chegou a dizer, na presença da mãe, que estava insegura acerca de onde colocaria a sonda – na abertura vaginal ou no meato uretral (abertura da uretra por onde se urina) – diante dessa situação, de pronto, a mãe pede para que o procedimento seja feito por outra pessoa que pelo menos conhecesse o que iria fazer!
Vamos observar, para maior difusão do conhecimento, que na vulva existem duas aberturas e quatro orifícios. A abertura maior é a entrada da vagina, através da qual as mulheres menstruam, têm relações sexuais e permitem o parto, quando normal. A segunda abertura é o meato uretral, por onde sai a urina. Dois orifícios ladeiam essa abertura e é através deles que a Glândula de Skene expele um líquido que evita assaduras na região interna dos pequenos lábios. Finalmente, nas laterais da abertura vaginal, dois orifícios fazem a lubrificação através das Glândulas de Bartholin. São conhecimentos primários para quem é enfermeira.
Em seguida, chega outra enfermeira que coloca a sonda no meato uretral da criancinha e ao retirá-la tem mostra de sangue. O resultado faz o médico indicar de pronto uma internação, pois o caso é bastante grave e merece bastante cuidado. A mãe da recém-nascida fica insegura a respeito do diagnóstico, dá uma desculpa qualquer e evade-se do local com a promessa de retornar no dia seguinte. O espírito materno faz com que a bebê seja agora levada a outra clínica, no caso o Imip (Instituto Materno Infantil de Pernambuco), para outra avaliação.
Chegando ao novo centro médico, a criançinha é reexaminada e os médicos afirmam não existir qualquer mal na criança, desde que nenhum dano maior possa ter ocorrido com a introdução da sonda uretral na menininha de quatro dias de nascida. Isso posto a mãe indaga o que poderia ter sido aquele sinal de sangue provocador de todos os eventos naquele dia?
O médico explica, então, que os recém-nascidos, muitas vezes, por uma questão hormonal secretam leite e/ou menstruam! Esse fato ocorre em quase cinquenta por cento dos bebês! Vejam quanta ignorância no primeiro atendimento quando se diagnosticou como um grande mal um evento quase comum.
Eis a questão: Como andam o conhecimento e a responsabilidade médica em nossa cidade? Muitas vagas para as Universidades, particularmente as Federais, são superprotegidas pelo Governo que não se cansa de dar boas notas para esconder a realidade que vemos no dia a dia! A pouca prática exigida daqueles que vão atuar com a vida dos seres humanos tem dado resultados catastróficos na atividade profissional. Lembro que, numa colação de Medicina, o paraninfo retrucou em seu discurso: “... vão à prática com seus pacientes para aprender o que não conseguimos ensinar no curso médico...”. Isso é um absurdo!
Quando, no mercado de trabalho, teremos que, no dia a dia, crescer no nosso segmento sem atropelar com a ganância do enriquecer depressa, que transforma o ser humano num robô sem perfeição. O estudo regular é que nos projetará dentro da nossa atividade profissional com responsabilidade.