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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A GRANDE PEQUENA ESCOLA PRIVADA

O mundo globalizado tem seus encantos, no entanto, a perversidade torna-se abrangente produzindo prejuízos incalculáveis no tecido social produtivo. Quem não se lembra da “venda” nas esquinas suburbanas com direito à “caderneta”, onde as anotações das compras do dia a dia eram anotadas para serem pagas no final do mês? Não existe mais. Os supermercados, com seus estoques monstruosos comprados a prazo, vendem à vista com menor preço e fecham as bodegas ou “vendas”.
Não podemos esquecer que, em todos os dias, junções de bancos, empresas e indústrias acontecem, é claro, com o domínio acionário das mais fortes sobre as mais fracas. E qual a bola da vez atualmente? É a educação. Não no ensino fundamental ou médio, mas sim no superior, levando, inclusive, escolas tradicionais a fecharem suas salas do “ensino básico” para servirem ao universitário.
No Brasil, dos 873 municípios que possuem escolas de nível superior, 568 possuem escolas com menos de 2.000 alunos, num total aproximado de 900.000 alunos dos quais 82% pertencem às privadas apoucadas. Essa realidade de hoje, resultados divulgados por revistas especializadas como Linha Direta e Ensino Superior, será bem diferente amanhã.
Segundo as mesmas fontes, daqui a cinco anos só restarão 1.400 pequenas escolas e, em 2020, apenas 16 grandes grupos dominarão a área da educação superior. Interessante é anotar que nos EUA o Governo afirma que o estado é forte graças ao contingente de pequenas empresas, porque, com idéias inovadoras, criam o diferente vendável, a exemplo do micro gerado em indústrias de fundo de quintal por aposentados da NASA.
As consequências dessa globalização estão nas grandes perdas, por só construírem o igual. Não vamos nos iludir que a compra de faculdades, no Brasil, por grupos estrangeiros, fomentará o progresso do povo brasileiro. A avidez do capitalismo na produção de bens para si próprio, jamais permitirá a criação de “jogos” que interessam ao desenvolvimento sustentável do nosso país.
Quem cuidará das necessidades e especificidades da nossa evolução na educação nacional? Ninguém. Praticaremos, sim, currículos moldados nas premências daqueles que fazem a educação. Ainda mais, teremos nossa casa invadida por “alienígenas” que, nas salas de aula, buscarão convocar nossos cérebros para servirem ao seu Estado. Isso sem contar com a ocupação de vagas que faltarão aos brasileiros.
Já vi esse filme em proporções bem menores, anos atrás, quando o então Instituto de Física da UFPE, foi dominado por professores do sul. As nossas verdades pouco importavam, adotavam “cartilhas” teóricas para ensinar a essência da prática que é a ciência da Física. A matemática soberba, como erva daninha, invadia o cérebro dos estudantes e os conceitos não “cabiam” mais. A minha proposta de ensinar Física, já há mais de 30 anos, feneceu. Busquei a minha aposentadoria.
Lembro-me também de um convênio de cooperação Brasil/França, que trazia “professores” franceses, mal conhecendo o nosso idioma, sem didática alguma, para ensinar aqui, em troca de serviços às forças armadas do seu país. O curso era de semicondutores, hoje seria de chips, e utilizava apenas tecnologia e material franceses. Grosserias e relações pouco amistosas constituíram-se como o centro da relação.
Quanto ao intercâmbio ser salutar, eu não duvido. No entanto, precisamos ter um guardião zelando pelo que é nosso, sem optar pelo ganho de propinas que não deixarão de ser oferecidas em prol desses invasores e para desgraça do nosso país.

Um comentário:

  1. moça dofortedepauamarelo15 de novembro de 2010 às 04:59

    Professor Wilson,Mestre dos mestres,concordo .As funções do ensino fundamental e médio estão degradadas.E consequentemente temos uma sociedade bruta,iletrada.As pessoas não têm as noções mais básicas que deveríamos ter:hora,espaço,tempo,geografia,assimilar instruções de como operar máquinas,tomar ou administrar uma medicação,fazer cálculos simples e fundamentais em nossa rotina.É por isso que nos deparamos com tantos analfabetos funcionais que possuem um diploma superior.Parece que a educação anda escravizada mesmo.E não adianta só as instituições de ensino não,a família precisa estimular,o cidadão tem que se conscientizar e dizer para si mesmo:Eu quero ser educado.Aqui em Recife/adjacências tem uma sociedade que insiste na cultura dos mangues.O kitsch,o brega,Le Cirque de Soleil.Até a fliporto é uma pseudo-intelectualidade com apelação capitalista:vamos vender livros,contratar artistas para o show off.Mas ainda salvam-se algumas coisas, com exceção, porém é justamente a parte paga,as mesas de debates.E para o pernambucano que não tem ,o que é que sobra:o pão e o circo da festa.Rosa de Luxemburgo falou da barbárie,e Maquiavel estava com toda razão em suas críticas a esse tipo de sociedade excludente.

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