Afinal, qual o grande motivo para essas atitudes? A resposta é muito simples. Ninguém ama a decadência! E tudo que está em plena decadência deve ser usurpado, transgredido, desprezado e agredido até o seu final. É esse o comportamento humano junto ao deplorável.
As cidades que sempre cuidam de seus logradouros possuem ruas limpas, calçadas cuidadas e seus habitantes dão exemplo, aos forasteiros, acerca da limpeza, que aflora do comportamento cidadão e invade as mentes de todos transeuntes. Assim não se joga lixo nas ruas e valoriza-se cada lugar, cada esquina.
Calçadas esburacadas com árvores plantadas à flor do solo, criando rachaduras e impossibilitando o livre acesso de cadeirantes, idosos e crianças, são repudiadas e caracterizam-se como “um lixo”! Os transeuntes acrescentam, então, lixo ao lixo. Como mudar esse comportamento de maus modos? Fazendo a conservação das vias públicas, inclusive das calçadas.
Os prefeitos dirão que a calçada é responsabilidade dos proprietários dos prédios servidos por ela, no entanto, pergunto: Quanto baixou o imposto predial e o acessório após a lei que determinou essa mudança de gestão das calçadas? Nada. O Governo Municipal pelo menos deve ser responsável pela violência causada pelas árvores que, plantadas pela prefeitura sem a menor técnica, dilapidam o bem de investimento privado, a calçada.
Outros comportamentos, aparentemente equivocados, também são consequências do estar a apodrecer os bons conceitos. Governos corruptos, policiais e juízes inescrupulosos fazem soar junto à população o descrédito às autoridades públicas. Os critérios de credibilidade que aludem ao respeito às funções que premiam a justiça, a ordem e o bem público, caem por terra a cada notícia de falcatruas exercidas pelos nossos dirigentes públicos.
As piadas agressivas e chacotas com os detentores do poder invadem os lares através dos meios de divulgação e levam o povo ao desrespeito aos seus dirigentes. Sem hierarquia vem o caos, a violência o aviltamento das normas que garantem o direito e a liberdade. São invasões a propriedades privadas, com saques, assassinatos e violência, os resultados do comportamento de terceira categoria daqueles que detém o poder.
Ninguém ama a decadência, repito. Uma forma de destruí-la é depredá-la até a morte, que não chega, mas cresce. A roupa não faz o monge, mas imprime sobriedade, arrumação, respeito a si mesmo que redunda no respeito de terceiros. Assim, apresentar-se barbeado ou com os cabelos arrumados e trajes limpos e bem cuidados, induzirá o respeito a si, que se valoriza.
Tudo que está por fazer é interminável, pois ninguém gosta de refazer, prefere o fazer de novo. Sendo assim, devemos ter tolerância zero com o descuidado. Não podemos deixar que a apresentação nefasta de um evento leve o povo a uma violência ainda maior sobre ele. A cada mostra de descuido, devemos sanar de imediato a ferida para evitar a depredação física ou mental.
Assim conclamamos quem pode fazer a evitar a aparência decadente de seus cuidados. Você economizará muito mais quando não permitir amanhecer a ferida da noite passada. O que, a princípio, pareceu falha desprezível, jamais passará pela observação implacável de nossa sociedade perversa, que cuidará em aumentar o dano observado com o desprezo ao seu pertencer.