AS MAIS LIDAS DA SEMANA

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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O ESQUERDO


Conhecida popularmente como canhota, a pessoa que escreve com a mão esquerda goza de diversos dotes não encontrados facilmente nos destros. Apesar da existência de um contingente enorme de pessoas que escrevem com a mão esquerda, elas jamais são lembradas pela indústria de móveis e equipamentos. O tentar corrigir, em tempos idos, o “defeito” dessas criaturas, com aparente sucesso, deixou de ser então, essa característica pessoal, uma preocupação para a sociedade.
Essa correção acontecia obrigando os não destros a escreverem com a mão direita, através do uso de várias admoestações físicas – tais como, reguadas nos dedos, cocorotes e outras maldades – e morais, como se a diferença na forma de escrever fosse algo feio e prejudicial.
Na verdade, os pais viam, nesse jeito pouco comum, um grande defeito que mexia com a vaidade deles, porque não admitiam essa “deficiência” em seu filho. A escola, por sua vez, também era obrigada a corrigir essa forma de ser das crianças durante a alfabetização, criando um estigma naqueles que não queriam se sujeitar ao hábito comum: escrever com a mão direita.
O resultado desse radicalismo, por força da ignorância dos pais e dos mestres, fazia com que a caligrafia das crianças canhotas fosse feia durante toda a sua vida, pois estavam forçando a natureza a dobrar-se diante da vaidade ou crítica de terceiros.
Por outro lado, essa busca por correção foi informando à sociedade que aquele problema deveria ser sanado. Tirando-se esse “vício” de escrever com a mão esquerda, não haveria a necessidade de preocupações maiores com esse grupo de pessoas, pois a reeducação iria incluí-las como destras em pouco tempo.
Com dificuldade na escrita da esquerda para a direita, adotada em quase todos os idiomas – devido à mão que cobre o texto, impedindo a leitura durante a escrita – os canhotos são surpreendidos em cada momento, necessitando recorrer ao improviso.
No passado, o uso de canetas tinteiro (aquelas com pena e tinta líquida) obrigava o esquerdo a utilizar um mata-borrão a cada palavra que escrevia para a mão não borrar o texto. Lembremos que a escrita é da esquerda para a direita e a mão que escreve – a esquerda – está sempre passando sobre o escrito.
Vemos no uso do mata-borrão uma ideia que facilitou sua forma de redigir. Esse improviso é apenas um marco do quanto é capaz o canhoto para adaptar-se a um mundo que não lhe pertence.
Hoje já se conhece o porquê dos esquerdos. Os hemisférios direito e esquerdo do cérebro estão com suas funções invertidas. Mas, mesmo com essa consciência, a sociedade pouco tem feito pela acessibilidade dos canhotos a uma série de equipamentos e acomodações.
Apenas para citar algumas situações que obrigam o esquerdo a tornar-se um grande improvisador e, consequentemente, um grande estrategista; temos a abertura de lata e maçanetas de portas, a disposição de complexos mobiliários e de equipamentos como papel higiênico, duchas sanitárias, comandos dos relógios de pulso.
O pensar rápido para a solução de cada demanda emergente não compatível com sua condição, torna o canhoto uma pessoa extremamente preparada para qualquer evento na área profissional e demais atividades do ser humano.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

FELIZES ANOS 70



Iniciamos nossas atividades educacionais em l966 com cursinho preparatório para vestibulares, em seguida, com colégio e, em l974, a Faculdade de Ciências Humanas ESUDA foi autorizada pelo MEC.
Durante toda a década de 70, estivemos em contato direto com o Ministério da Educação e Cultura (MEC), através, do então extinto, Conselho Federal de Educação (CFE), que hoje é o Conselho Nacional de Educação (CNE). Foi o período em que houve pedido de autorização dos primeiros cursos universitários da ESUDA, reconhecimentos dos cursos, aumentos de vagas, etc.
Apesar da ditadura, o MEC era um primor em democracia e estava sempre perto daqueles que ajudavam a educar o Brasil. Delegacias Regionais (as DEMEC) existiam em quase todas as capitais brasileiras, Recife/Pernambuco era sede de uma delas, a do DGE 09 (Distrito Geo Educacional 09).
Essas delegacias possuíam um corpo técnico especializado que, semanalmente, visitava as Instituições de Ensino Superior (IES) e as Universidades, para verificar as documentações dos novos alunos, cadernetas de anotações dos professores, suas frequências; enfim, avaliar o desempenho da escola.
Quando deslizes ou erros eram verificados, com lealdade, sugestões e orientações eram dadas para solução dos mesmos, a fim de evitar problemas no futuro. Democraticamente, os Técnicos em Assuntos Educacionais (TAEs) aceitavam sugestões, quando boas, para a solução dos problemas que, por acaso, houvesse.
Toda documentação necessária a cada evento acadêmico, como autorização e reconhecimento de cursos, aumento de vagas, mudança de endereço, regimento ou mantença, era constituída de formulários próprios e pré-escritos, nos quais se fazia necessário apenas preencher as lacunas com as diversas opções possíveis, para a livre escolha das IES. Assim, por exemplo, os regimentos de todas as escolas obedeciam a um padrão, onde dispositivos que deveriam constar em todos, facilmente eram identificados, com suas demandas específicas. Consultas não solucionadas pela DEMEC eram encaminhadas, em malotes diários, para Brasília em busca de soluções e, de forma breve, retornavam.
Fazer educação é entregar-se ao diálogo, é ouvir soluções características de um dado evento acontecido em uma instituição de ensino e levá-las, quando em casos semelhantes, para outras instituições. Não existe educação sem o corpo-a-corpo entre MEC-IES, IES-professores, professores-alunos; ou seja, uma comunhão entre todos que fazem o complexo educativo. Muito se insistiu para que os Cursos a Distância tivessem um evento presencial com professor graduado e especialista no curso de seus discípulos. Por que isso? Porque educação é olho no olho e isto nenhuma tecnologia põe para trás.
Infelizmente, hoje, no gozo de plena democracia, o MEC escraviza seus coadjuvantes. As soluções acontecem sempre no imaginário da virtualidade, de forma arbitrária, abrindo-se portfolio de relacionamento ao bel-prazer do Ministério, sem qualquer poder das IES para abertura de diálogo em tempo diferente daquele estabelecido dentro de um dado processo MEC/IES.
Cansei de enviar correspondências ao MEC, para as quais não obtive retorno algum. Durante as discussões iniciais sobre a reforma universitária, em reunião, falei pessoalmente com o representante do MEC acerca de uma visita de um técnico para apreciar alguns programas que deveriam entrar em execução na ESUDA e poderiam servir ao Governo, pois estavam sendo implantados PRO UNI, FIES e outros, assemelhados aos nossos. A resposta foi curta: “Não temos pessoal disponível para isso, mesmo que você pague todas as despesas da viagem”.
O único elo entre MEC e IES é estabelecido por meio do binômio Inep/corpo discente, ENADE, cujo resultado é estigmatizar a escola como se ela fosse uma inimiga da educação brasileira. Nem diálogo! Nem visitas in loco (oito anos atrás fomos visitados)! Nem orientação! Não é assim que se pratica educação. Investem-se fortunas em Enem e Enade para nada, são avaliações claudicantes, que acabam de fenecer. Não é por falta de dinheiro para contratar um maior número de pessoas para as visitações, pois hoje são pagas pelas IES. Na década de setenta, não era assim! Felizes os anos 70!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

ENSINO A DISTÂNCIA: O ESTADO ATIRA NO PÉ

Desde o ano 2000 que o Governo Federal vem incentivando a criação de cursos a distância. Lembro que a UFPE instalou uma sala para vídeo conferências como um evento precursor dos cursos virtuais.
Algumas universidades de administração particular começaram então a investir neste segmento, e os centros de informática iniciaram uma corrida atrás de softwares que contemplavam a pedagogia dentro desse novo formato de graduar em nível superior.
As universidades federais, pertencentes ao Governo, continuaram com o ensino presencial sem investir nada em cursos a distância que no futuro pudessem ser também absorvido pelas instituições particulares de ensino superior. Os burocratas do MEC sempre estudando o ensino de ponta, nada colaboraram com o novo formato de se obter o diploma do antigo 3º grau.
Por outro lado, criaram uma denominação estigmatizante para os graduados nesses cursos. Tecnólogos foi o apelido criado para àqueles que se formassem em nível superior através dos cursos superiores a distância. Quando cursos técnicos, seqüenciais, e outros acontecem, o título tecnólogo na verdade pareceu muito mais um curso técnico do que um curso superior.
Esse fato levou os graduados, através de cursos a distância, a ter dificuldades na obtenção de emprego e posição igual junto aos alunos concluintes dos cursos presenciais. De forma pouco aceitável, em nenhum momento, escutei apologia aos cursos virtuais feitas pelo Governo. Simplesmente, virem-se quem puder!
As escolas que criaram os primeiros cursos a distância desbravaram um campo sem definições objetivas e em tempo algum contou com o apoio dos que fazem a educação estatal, e ainda tinham como obrigação estabelecer os formatos essenciais para o alcance do sucesso neste novo nicho.
Aulas transmitidas ao vivo, como forma de aproximar-se do modelo tradicional, trouxeram investimentos fabulosos em cada seção de ensino/aprendizado. Na verdade, a aula não ao vivo, com a presença paralela do professor, atingiria muito mais os objetivos graças à dinâmica possível com este modelo gravado. A participação do professor aconteceria, então, para tirar as dúvidas surgidas.

Após meia dúzia de anos de trabalhos e de ir e vir destes desbravadores, vem o Governo iniciar a terrível ingerência, tão costumeira, nas atividades da empresa privada.
Inicialmente, contando com a experiência dos educadores das IES particulares, o Governo parte para abrir cursos a distância estatais e proíbe abertura de novos cursos e pólos pelas instituições privadas. O custo de manutenção desse investimento do Governo será pelo menos dez vezes maior que aquele dos cursos já existentes, que poderiam desenvolver um crescimento maior patrocinado esse crescimento por alunos carentes usuários de programas de financiamento público.
Além disso, abre um rol de exigências que devem ser cumpridas pelos pólos remotos, que vai desde biblioteca, salas de estudo, coordenadores e professores até a redução do número de vagas permitidas em cada centro de estudo. Reduzindo o crescimento dos pólos, cria as dificuldades financeiras para os investimentos exigidos. Paralelamente, usurpa o desenvolvimento da escola privada em benefício das estatais que chegam para concorrer de forma desigual, pois o ensino público é gratuito.
Após tanto incentivo aos cursos a distância, agora o Estado atira no pé.

SÍMBOLO E SINAL



As informações que chegam a uma criança por volta dos três anos são caracterizadas pelo concretismo. Isto significa que: quem recebe o nome de mãe é apenas a sua mãe; o trem é algo grande e a formiga é algo pequeno, sendo assim os nomes dessas coisas deveriam ser invertidos; e assim poderíamos citar diversos exemplos. O concretismo chega ao adulto na confusão entre símbolos e sinais, e isso pode causar graves consequências.
O símbolo é a representação de um fato, de um conhecimento pouco palpável ou de uma informação que depende de muitas explicações, válidas na atualidade. Dessa forma, entendemos que um símbolo deve ser renovado a cada momento que evoluímos no conhecimento do simbolizado.
Na verdade, o símbolo acontece como algo tão forte que associamos a ele o representado. Uma onda é simbolizada por uma senóide e como a forma dessa função lembra uma onda na água pensamos que a representação é a própria onda.
SENÓIDE
Quando o símbolo representa uma informação não científica ele pode sobreviver por mais tempo. Os semáforos com suas cores representativas de siga, atenção e pare, podem ser usados por muito tempo, assim como aqueles símbolos de trânsito utilizados nas cidades e estradas. A própria pintura da faixa de pedestre é um símbolo.
O sinal não é uma representação, mas sim um elemento que caracteriza um dado evento ou a proximidade do mesmo. “Onde há fumaça, há fogo”, fumaça de combustão, é considerada um sinal de fogo. É o concretismo absoluto.
O sangue é o sinal de ferimento. O alarme tocando é sinal de invasão, quando ele é fabricado com boa qualidade. Impressionante é que os fabricantes de alarmes não sabem que seu produto não é um símbolo, mas sim, um sinal. Isso deveria fazer com que esses equipamentos fossem mais perfeitos, e não disparassem sem motivos.
Dissemos que a faixa de pedestre é um símbolo dos pedestres atravessando, o pedestre é o sinal.
Como esses exemplos dos parágrafos anteriores, poderíamos citar diversos.
Qual então é o perigo da confusão entre símbolo e sinal?
Normalmente a maioria dos fatos que nos assusta são símbolos e não sinal de alguma coisa. Um ruído na madrugada pode ser um rato e não um invasor humano, às vezes, sacamos uma arma em vão, por medo do invasor e causamos danos, quando se tratava apenas de um símbolo da presença de alguém e não um sinal. Uma imitação de cobra (um símbolo) que cai do teto pode levar uma pessoa a um infarto.
Tecnicamente um modelo ou símbolo superado pode ensejar conclusões científicas completamente errôneas. Daí todo cuidado com os conhecimentos de fronteira, pois bastam as complicações quando se confunde símbolo com sinal.

CRÉDITO EDUCATIVO. FAZ GRAÇA PRA MIM


Na década de setenta surgia o Crédito Educativo (CE) com patrocínio da loteria esportiva, o dinheiro que vinha do povo retornando ao povo. “... e esses recursos serão aplicados a fundo perdidos...” diziam os criadores do novo programa.
As escolas de ensino superior no mês de janeiro e julho de cada ano recebiam o pagamento da semestralidade dos alunos que ingressavam no programa. A contratação do crédito educativo acontecia no último mês de cada semestre letivo e não eram exigidos fiadores.
Além de contemplar os estudos, existia também o financiamento de uma ajuda de custo para os estudantes carentes. Nesta época, ensinava-se a pescar, não se dava o peixe. Tínhamos na época 30%(trinta por cento) dos alunos universitários contemplados com o programa. Mesmo a fundo perdido, o custo para o governo era 10%(dez por cento) do investimento na manutenção de um aluno nas universidades federais.
A falência do CE ocorreu graças à inflação estúpida de 80% ao mês produzida pelo governo de José Sarney que além de tudo começou a liberar os valores dos créditos para as escolas no final do semestre, mas os alunos pagavam juros desde a contratação do programa no início do semestre. Década de 70: o milagre brasileiro, década de 80: o caos brasileiro.
Abro a revista Ensino Superior de agosto de 2009 e lá está: “Governo quer fazer parceria com bancos privados para financiar educação”. Surge a ponta de mais um programa para explorar o ensino privado os cofres públicos e o próprio estudante.
A filosofia do Fernando Haddad e Guido Mantega, ministros da Educação e da Fazenda, respectivamente, é criar um programa que não dê prejuízo para os bancos privados. No caso de inadimplência do aluno junto ao financiamento, a escola que recebeu o crédito resgata de 15 a 30% do saldo devedor do banco e o FNDE (Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação) cobre o restante do rombo. O banco privado, recebe o spread da operação, mais uma vez, o bobo da corte é quem produz.
Na verdade parece já não existir as milionárias loterias. Essa poupança popular que é revertida na esperança de sorte dos menos favorecidos virou imposto para o Governo. O que emana do povo, sem retorno, deve retornar ao povo, como na década de 70. O governo que gaste menos e utilize os vultosos impostos para suas obrigações.
Será pequena a memória dos governantes sobre as verbas que financiavam os programas educativos, ou é mesmo desrespeito ao cidadão brasileiro?
Os programas de apoio ao estudante não deveriam gerar nem juros nem correção, deveriam financiar mensalidades escolares e não capital. Desta forma, o discente deve ficar devendo mensalidades e não valores. Cada aluno que devolve, depois de formado, as mensalidades utilizadas, contribuirá com o financiamento de um futuro colega, hoje carente e que como ele irá servir-se do crédito educativo.
Lembramos que o capital intelectual não dá lucros, em curto prazo, capazes de pagar os juros exorbitantes dos financiamentos. O comércio, a indústria e as prestações de serviços são capazes de suportar essa exploração, o jovem profissional liberal ou iniciante em um negócio não tem demanda financeira para isso.
É importante, mais uma vez, não tragar as novidades como se doutrinas elas não tivessem. Pare e reflita: o antes, o durante e o depois, e não deixe de comparar, pois só assim poderemos compreender a que se quer chegar com uma idéia nova!

MAIS UMA VEZ OS GENS CONSEQUENTES

Observamos que o fato descoberto por cientistas, sobre as mudanças dos genes constituintes dos seres vivos, de conformidade com as alterações no fenótipo, tem como resultado uma série de consequências antes pouco observadas ou sem explicação.
Já comentamos em artigos anteriores, a diferença crescente entre gêmeos univitelinos quando educados em culturas diferentes, a herança imposta na falta de dilatação na maioria dos partos e consequente cesárea. Agora surgem outras conseqüências possíveis dessa grande descoberta.

Quando se adota uma criança a partir de valores coerentes com a adoção e não simplesmente por vaidade, pode-se observar que no desenvolver da relação pais e filho mudanças genéticas começam a favorecer o menor de modo que seu fenótipo assemelha-se aos responsáveis como se uma origem legítima ele tivesse. O carinho, os limites e todo o necessário a formação cidadã, sem estigmas, dados pelos mantenedores, enriquecem aquele ser de forma mágica, tornando-o a imagem e semelhança dos seus pais adotivos.
Essa transferência depende da permissão do educando. É por isso que lembramos mais uma vez: é muito importante o querer adotar contemplando todas as necessidades do adotado e do adotando. No decorrer dos anos a semelhança, inclusive física, com os pais será inimaginável. Enfim a adoção deve ser verdadeira.
É interessante lembrar que essas novas características do fenótipo adquiriram raízes no genótipo e amanhã as novas gerações, dos adotados, podem vir a ter peculiaridades de seus avós adotivos. Nunca se pensa nisso! São as vivências mudando a vida.
Nesse exemplo está bem claro o nível da descoberta científica que diz estar o ser humano mudando seu comportamento e forma de ser durante a vida, alterando os seus genes. Não é uma adaptação circunstancial – lugar, cultura – mas sim, genética, leva às descendências.
Outro aspecto semelhante é a domesticação de animais selvagens. Aí vão dois aspectos: torná-lo domesticado e torná-lo doméstico. Tornar um animal domesticado é aproveitar sua pouca inteligência e construir atitudes que o torne dócil para a convivência entre os humanos.
O leão, de circo, o elefante e outros animais têm sido domesticados, mas não se tornaram domésticos, por quê? Na verdade não vivem parindo em cativeiro e os filhotes não são acompanhados por especialistas como os pais; e quando acontece isso, é em número pequeníssimo, não salvando a espécie como doméstico.
Por sua vez o animal doméstico foi domesticado geração após geração com a convivência de sua família e dos humanos. É bem diferente ser domesticado ou ser doméstico. Neste último já existem as alterações genéticas desde o nascimento, ou seja, essas alterações já pertencem ao genótipo.
Enfim, lembramos que sendo o homem o animal mais inteligente, em suas mãos está o destino da natureza. Preservar as formas de ser dos animais, vegetais e dos outros reinos do mundo, significa manter a diversidade que inova e faz bem ao equilíbrio deste magnífico complexo que é o Universo. O nosso planeta, dentro dele, deve ser visto como a nossa comunidade menor, onde não desejamos enchentes, secas e menos ainda o colapso do nosso entorno, pois isto nos levaria ao pouco viver e com baixa qualidade.
Finalmente queremos colocar que as alterações genéticas vindas das ingerências do homem na própria natureza podem quebrar a diversidade tão rica do nosso planeta.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

MEDALHA OU NÃO?

Os resultados das disputas esportivas têm sido sempre discutidos pelos perdedores dos eventos. Por um lado por acontecer com frequência erros dos árbitros, e por outro lado devido à violência cometida por um dos litigantes como sejam: doping, ou outro artifício não permitido naquele embate. As pesquisas tem sido exaustivas em busca de uma atitude legal que possa reverter o resultado ou anular aquele encontro esportivo dando lugar a outra oportunidade para aquela disputa.
Desta forma o esporte é violentado, pois uma oportunidade de um encontro que mede desenvolvimento físico torna-se uma oportunidade para um confronto em tribunais. Devemos respeitar, sim, as regras do jogo, mas não podemos criá-las após o encontro. O propósito deste comentário relaciona-se ao texto abaixo:
Jornal diz que sul-africana é hermafrodita, 10 de Setembro de 2009, 21:21. A sul-africana campeã mundial dos 800m, Caster Semenya, é hermafrodita, noticiou nesta quinta-feira o periódico australiano Sydney Morning Herald. De acordo com o jornal, os testes realizados pela Federação Internacional de Atletismo (IAAF) apontam que a atleta tem órgãos sexuais masculinos e femininos. Segundo o diário, Semenya não possui ovários, mas testículos internos que produzem testosterona em níveis muito superiores a outras mulheres. O Sydney Morning Herald, afirma ainda que a IAAF tentou se comunicar com a sul-africana para informar o resultado dos exames, mas não teve sucesso. Mas segundo o porta-voz da entidade, Nick Davies, nada de conclusivo pode ser dito sobre o assunto. "Nós não vamos comentar porque ainda não sabemos de nada", afirmou. "Temos os resultados finais dos exames realizados na Alemanha. Agora eles precisam ser interpretados por um conjunto de especialistas da comissão médica da IAAF e outros peritos", completou. Mesmo que seja confirmado o alto nível de testosterona de Semenya, ela dificilmente será penalizada com a perda de sua medalha. "Seria legalmente muito difícil tirar a sua medalha", alertou Davies à BBC no dia anterior à publicação da matéria do Sydney Morning Herald.
O hermafroditismo é uma espécie de quimerismo, quando este se relaciona com a genitália interna e/ou externa. No caso existem órgãos internos que indicam características hermafroditas nessa criatura. Assim deve ser considerada hermafrodita.
Vale a pena agora saber se na seleção os atletas são avaliados quanto ao seu percentual hormonal, não podemos lembrar essa avaliação após a conclusão do embate. Não houve dolo da litigante quando inscrita nos 800m, pois era um humano com genitália de fêmea, e daí apta a concorrer com outras mulheres.
Os promotores desses encontros desportivos devem então criar novas regras e disputas entre hermafroditas, talvez homossexuais, enfim uma infinidade de classes até que se esgotem as diferenças características dos humanos. O natural jamais deve ser tolhido de seus direitos! Já não bastam as diferenças, com as suas dificuldades, junto aos regulares? Que se crie o 3º sexo, e assim, concorrerão os hermafroditas criando na humanidade um respeito maior por este segmento da espécie humana tão violentado. É hora de se por um basta na ignorância dos que avaliam certames sem capacidade para tal.
É imperativo deixar a medalha com Caster Semenya, por ser a atitude mais correta.

INTERVENÇÕES GENÉTICAS

Muitas são as reportagens comentando sobre a melhora genética através de intervenções nos genes constituintes dos cromossomos. Eliminar doenças de origem genética já catalogadas pelos cientistas, alterar características ou carateres determinantes de estatura, estrutura óssea, entre outros, já é possível através da engenharia genética e ciências agregadas.
Escutei recentemente em reportagem de TV que se almeja melhorar a inteligência dos humanos por meio de intervenções nos genes constituintes do nosso poder de construção, tão faltoso nos animais ditos irracionais.
Neste momento, é bom lembrar a relação entre o conhecimento pré-natal e a inteligência. Onde estão definidas as informações inatas que trazemos de nossos ancestrais e representam todo o caudal de saberes que nos distingue de outros seres vivos?
É sabido que nos seres não humanos o conhecimento inato é por demais exacerbado.O pouco poder de construir o saber é suprido exatamente por essa característica. Em sintonia com a informação de origem está uma série de carateres que define cada uma das espécies vivas do planeta.


A cobra já nasce possuindo 95% do conhecimento necessário para a subsistência (denominado de conhecimento inato ou pré-natal), necessitando apenas um aprendizado de 5% para o bem viver. O cachorro nasce com 70% de conhecimento inato e durante a vida complementa os 30% faltosos. O cachorro é mais inteligente que a cobra e, por isso, é mais fácil de ensiná-lo. A inteligência e o conhecimento inato são complementares. O ser humano possui em média 30% de conhecimento pré-natal e sua inteligência o leva ao sucesso vital durante a vida. É o grande poder da construção.
Assim sendo, quem tem muita inteligência tem pouco conhecimento pré-natal, quais seriam então as influências incorporadas ao conhecimento inato quando se aumenta artificialmente a inteligência? Hoje ainda não se sabe qual a resposta. Então sejamos cautelosos quando manipularmos genes que definem a inteligência.
Outro evento ligado à inteligência é a memória. Pouco se sabe também quais as alterações que pode sofrer a memória se alteramos a inteligência. Lembramos que a alteração de um dado gene no cromossomo é feita com a manutenção dos outros em suas respectivas localizações. Assim, não seria necessário um melhor entendimento a este respeito para evitar outros distúrbios no ser em mutação?
As críticas a esses experimentos genéticos estão sempre apontando para as mudanças possíveis na agressividade ou no desenvolvimento anormal dos seres alterados geneticamente, temendo-se que esses novos viventes venham a prejudicar os humanos existentes. Os filmes de ficção têm seus temas dentro destes aspectos.
Nunca se criticam as mutações como aquelas que venham a tornar este novo ser um sofredor em seus aspectos psíquicos ou somáticos. O respeito à vida dos seres como eles acontecem deve ser o objetivo dos cientistas. Durante o viver podemos substituir células doentes por células troncos, isto precisa ser estudado, e não simplesmente produzir alterações quando um hálito de vida ainda não fora esboçado.